terça-feira, 5 de março de 2013

Câmara dos Deputados dá mais um sinal de anacronismo político e social


Câmara dos Deputados dá mais um sinal de anacronismo político e social

Pr. Marco Feliciano, deputado que vai presidir a comissão de Direitos Humanos da Câmara


Nesta terça-feira (05/03/13), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi indicado pelo seu partido para presidir a comissão de Direitos Humanos da Câmara durante o biênio 2013-2015. O deputado é pastor da igreja Assembleia de Deus há nove anos e é conhecido por declarações que estimulam o preconceito contra religiões afro-brasileiras, contra as pessoas LGBT e contra o próprio continente africano. Veja o vídeo abaixo.

O jornal O Globo cita uma das frases prediletas de Feliciano:

“O problema não é a comunidade gay. Eu tenho amigos que são e são pessoas completamente equilibradas. O problema são os ativistas. Eles fazem o que já fizeram comigo, que é tentar destruir a minha imagem e falar pra sociedade que você é uma coisa e que não é.”

Não é difícil entender o ressentimento de Feliciano contra o ativismo LGBT: pastores que acreditam em “reversão” da homossexualidade (ou coisas semelhantes) geralmente adoram homossexuais enrustidos ou que buscam “adequação” às regras heteronormativas dessas igrejas.  Eles odeiam os homossexuais que não se sentem menores do que ninguém em função de sua sexodiversidade. Mais do que isso, esses homossexuais reivindicam direitos iguais. Isso, gente como Feliciano não suporta. Ele segue a a mesma linha de Silas Malafaia e Marisa Lobo. Aliás, essas pessoas beberam da mesma fonte: pregadores homofóbicos americanos, tais como James Dobson, do ministério Focus on the Family, líderes de movimentos como a Exodus International e alguns grupos de “reversão” aqui do Brasil, os quais também beberam das mesmas fontes extremistas que eles, como foi o caso do MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia) e outros.

Mas a declaração de Feliciano oculta outro engodo, seja consciente ou inconscientemente: o de que existe UM movimento gay. Isso não é verdade. Existem diversos movimentos sob a bandeira do arco-íris. Basta notar que muita mobilização contra a homofobia tem sido feita por pessoas comuns nas redes sociais, em grupos de amigos com os mesmos objetivos e por aí vai.

Além disso, ele fala como se considerasse a relação homoafetiva muito natural, mas isso não é verdade. Ele chega a chamar a relação afetiva entre pessoas do mesmo sexo de "fazer suas porcarias", como você poderá assistir no vídeo abaixo.

Enquanto isso, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) lança uma nova cartilha sobre orientação sexual e identidade de gênero no direito internacional dos direitos humanos, conforme noticiado pela Rede Brasil.

Trata-se de um livro de 60 páginas cujo objetivo é ajudar os Estados a compreender melhor as suas obrigações e os passos que devem seguir para cumprir os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), bem como para os ativistas da sociedade civil que querem que seus governos sejam responsabilizados por violações de direitos humanos internacionais.

Iniciativas como essa da ONU só expõem, com ainda mais clareza, o quanto o Legislativo brasileiro está na contramão da história. Felizmente, nosso Judiciário tem avançado, mas isso também incomoda pessoas como o deputado Marco Feliciano, que não deve estar celebrando nem um pouco o fato de que pessoas do mesmo sexo não apenas podem firmar união estável no país inteiro, como ainda podem se casar direto no cartório em seis estados brasileiros e no Distrito Federal. São eles: São Paulo, Piauí, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo.



Vídeo produzido por Sergio Viula para o Blog Fora do Armário e cedido para essa nota


O Conselho LGBT da Liga Humanista do Brasil vem a público manifestar sua preocupação com o rumo que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara pode tomar daqui para frente. Conclamamos os cidadãos esclarecidos a que se posicionem humanisticamente contra toda forma de preconceito, especialmente a homofobia (incluindo a lesbofobia e a transfobia), o machismo, a xenofobia e a demonização dos seguidores de religiões afro-brasileiras. Que pressionem deputados, senadores e outros representantes eleitos para que se oponham ao avanço do fundamentalismo religioso na esfera pública e que defendam o Estado laico, democrático, pluralista e de direito. 

Além disso, que nossa mobilização inclua a desconstrução de preconceitos, bem como a recusa em reproduzir qualquer conteúdo que estimule discriminação por raça, sexo, gênero, orientação sexual, afiliação religiosa, etc. 

Multiplicar conhecimentos verdadeiros e estimular o humanismo irrestrito são o melhor antídoto contra os os discursos obscurantistas que alimentam o ódio e o totalitarismo. 


Sergio Viula
Presidente do Conselho LGBT da LiHS

 
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