quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mães pela Igualdade


Quando a dor se transforma em força


Mãe Beduína. Garrigues, 1917.
Maio se estabeleceu como o mês das mães. É verdade que boa parte dessa celebração é motivada pelos interesses da indústria e do comércio, mas é inegável que o amor que se estabelece entre mãe e filho desde a gestação é forte, belo e mais forte que a morte. Infelizmente, há exceções. Todavia, a esmagadora evidência demonstra que a relação mãe-filho comporta compreensão e cumplicidade num nível que dificilmente encontra semelhante.

Por isso mesmo, a dor de uma mãe que vê o próprio filho ferido é incomparável e torna-se insuportável quando essa mãe precisa enterra-lo. Seria injusto, porém, não reconhecer que muitos pais sentem e demonstram a mesma compreensão, cumplicidade e dor para com seus filhos ao longo da jornada da vida. Isso não é uma exclusividade feminina, mas ganha contornos mais visíveis nas mães do que nos pais talvez até por razões biológicas ou culturais, ou uma combinação de ambas, como saber?

Esse ano, o dia das mães será dia 13 de maio, domingo próximo. Por isso, a LiHS aproveita a oportunidade para vir à público e manifestar seu apoio às mães que, tendo vivenciado a dor de ver um filho ferido ou morto por homofobia, ainda estão não tiveram pelo menos o consolo de ver os agressores ou assassinos de seus rebentos responder juridicamente por tais atrocidades.

No Rio de Janeiro, Coordenadoria de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro (www.cedsrio.com.br) em parceria com a organização internacional AllOut (http://www.allout.org/pt/maespelaigualdade) organizou uma emocionante exposição que esteve na Praça XV semana passada, e que agora migra para outros pontos da cidade. Nela, fotos de mães com seus filhos gays, lésbicas e transexuais emocionam quem passa. As fotos são acompanhadas de comentários das mães sobre seus filhos. Existem quadros, porém, nos quais as mães estão sozinhas. A tristeza no olhar dessas mulheres é reveladora: ali está a dor da ausência. Seus filhos foram mortos por homofóbicos; sua alegria foi estancada, suas vidas foram marcadas pela tristeza que acompanha tamanha crueldade. A dor ganha novos contornos quando deputados e senadores se omitem diante de tanta crueldade. Um parlamentar conhecido por demonstrar atitudes racistas, machistas e homofóbicas. Em 2012, ele disse: “Prefiro ter um filho morto em acidente do que um filho gay.”

Quando legisladores que deveriam promover a igualdade e coibir a discriminação e agressão contra qualquer cidadão, inclusive o cidadão LGBT, dizem esse tipo de absurdo ou agem motivados por preconceitos como esse para adiar a aprovação de leis que protejam essa parcela vulnerável da população, eles torturam as vítimas mais uma vez, sejam os próprios homoafetivos ou seus parentes e amigos. As mães que encontraram os corpos inertes de seus filhos, muita vezes, mutilados pelo ódio homofóbico de seus agressores, são violentadas de novo. Aquelas que viram seus filhos hospitalizados são novamente submetidas à dor. Os filhos que sobreviveram à violência dos agressores revivem o terror vivido naqueles momentos que pareciam intermináveis, agora com o agravante da injúria de quem deveria garantir seus direitos – o Estado.

“Nós últimos meses, mães de todos os cantos do Brasil começaram a unir suas forças para dar um recado claro contra a discriminação, a violência e a homofobia crescentes, que estão saindo do controle no país. Elas se recusam a aceitar insultos e injúrias contra seus filhos. Elas são as ‘Mães pela Igualdade’.” – informa a AllOut que promove com a prefeitura do Rio essa emocionante exposição que será apresentada na Praça Antero de Quental (Leblon), de 09 a 15 de maio, depois Praça Saen Peña (Tijuca), de 16 a 22 de maio, e finalmente Vigário Geral de 23 a 29 de maio.

É fato que sendo no Rio de Janeiro a campanha terá visibilidade, porém, muitos brasileiros que moram em outras cidades não terão a oportunidade de ver a exposição.Há, porém, um modo de participar desse importante movimento. A AllOut está promovendo uma petição que você pode assinar de qualquer lugar do Brasil e do mundo. A petição está online.  Apoie essa iniciativa que mitigará um pouco da dor dessas mães e poderá fazer nossas autoridades agirem contra essa onda de violência que já vitimou gente demais. Nossos legisladores precisam mandar um recado para toda a sociedade por meio de legislação que coíba crimes como esses.

Veja as fotos das mães e seus filhos, suas declarações e assine a petição aqui: http://www.allout.org/pt/maespelaigualdade

Sergio Viula
Presidente do Conselho LGBT da LiHS

 
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