terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ministério da Saúde mente sobre propaganda contra AIDS

Autor: Eli Vieira

Tudo começou quando um grupo de pessoas bem-intencionadas se reuniram e decidiram quais seriam as ações do Ministério da Saúde para combater as DST's, particularmente a AIDS, no carnaval de 2012. Tudo correu normalmente, as ideias para vídeos a serem veiculados na TV foram criativas: em dois deles, uma fada e um siri entregavam a camisinha para casais desprevenidos. A excitação do carnaval "rola", mas fantasia de fadas e siris fazerem isso "não rola", por isso é necessário o cuidado e a prevenção, diziam os comerciais. Uma ideia muito boa.

Só que havia um problema. A fada estava entregando a camisinha para dois homens num dos comerciais. Dois atores tentando fazer a tarefa difícil de passar a ideia de atração mútua para o público sem nenhum sinal de erotismo. O vídeo, de boa produção, veio acompanhado deste padrão Globo de ausência de homoerotismo:


Este vídeo não está no canal do Ministério da Saúde no YouTube, mas num canal de um terceiro, porque o Ministério da Saúde resolveu remover o vídeo de todos os seus canais na internet, de repente, apesar do que foi dito em seu próprio planejamento para a campanha do carnaval na TV. E pior, o Ministério da Saúde mentiu, como pode ser visto na imagem abaixo e no blog Eleições HoJE.


Deputados da bancada teocrática reivindicaram a autoria da censura. No último domingo, o Ministério lançou o vídeo abaixo. Compare com a qualidade da produção e com a qualidade da mensagem do vídeo anterior.

Eis meu comentário ao vídeo, e a resposta-padrão do Ministério da Saúde, que também foi enviada por Twitter a várias pessoas, persistindo na mentira:

O Ministério tem insistido que o vídeo original era para lugares e públicos específicos. Se as estatísticas mostram um aumento na incidência de HIV entre gays, o que exatamente o Ministério pretende mostrar com esta resposta? Que bissexuais não existem, por isso não é necessário que o público de TV's abertas veja o comercial original?

É de dar arrepios orwellianos ver o preconceito e a mentira institucionalizados dessa forma. É o Estado que deveria ser laico se curvando ao lobby do preconceito religioso às custas da igualdade perante à lei, às custas da livre iniciativa dos publicitários que fizeram a peça original, e às custas até mesmo da saúde de alguns.

*ATUALIZAÇÃO*: hoje o ministro Alexandre Padilha repetiu a mentira para o site da notícias da EBC.

 
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