quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Liga Humanista junta mais de 10 mil assinaturas contra proposta de emenda à Constituição 99/2011

Temos a satisfação de anunciar que nossa petição contra a proposta de emenda à Constituição nº 99/11 (PEC99), de autoria do Deputado João Campos (PSDB/GO), passou a marca de 10 mil assinaturas nesta quinta-feira.

Como acontece em outras petições da LiHS, cada assinatura foi enviada em tempo real para o email do órgão responsável, neste caso a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

A lista das assinaturas será enviada ao relator da proposta, Dep. Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), em cujas mãos a PEC se encontra desde dezembro.

O texto original da proposta trazia assinatura de diversos parlamentares. Quando nós e o movimento LGBT denunciamos o caráter antilaico da proposta, um dos parlamentares, o Deputado Eudes Xavier (PT-CE) removeu sua assinatura.

A PEC99 pretende dar a associações religiosas o poder de propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, o que na prática significa a criação de um poder teocrático, dado que somente entidades de interesse público diretamente ligadas ao Estado têm esta prerrogativa. O autor da proposta é um notório opositor dos (poucos) avanços conquistados em direitos LGBT no Brasil, e há motivos para acreditar que esta proposta veio para dar poder a seitas intolerantes de negar direitos que o STF reconheceu a esta parcela da população, como a união civil homoafetiva.

O número expressivo de assinaturas de nossa petição só aconteceu porque a Liga Humanista Secular do Brasil tem uma postura de tolerância para com diferentes crenças e luta por um Brasil secular e um Estado laico de fato, sob o qual toda a diversidade de opiniões e crenças convivam e cresçam juntas contra a intolerância.

Agradecemos por todas as assinaturas e lembramos que esta e outras petições se encontram abertas e disponíveis neste endereço.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ministério da Saúde mente sobre propaganda contra AIDS

Autor: Eli Vieira

Tudo começou quando um grupo de pessoas bem-intencionadas se reuniram e decidiram quais seriam as ações do Ministério da Saúde para combater as DST's, particularmente a AIDS, no carnaval de 2012. Tudo correu normalmente, as ideias para vídeos a serem veiculados na TV foram criativas: em dois deles, uma fada e um siri entregavam a camisinha para casais desprevenidos. A excitação do carnaval "rola", mas fantasia de fadas e siris fazerem isso "não rola", por isso é necessário o cuidado e a prevenção, diziam os comerciais. Uma ideia muito boa.

Só que havia um problema. A fada estava entregando a camisinha para dois homens num dos comerciais. Dois atores tentando fazer a tarefa difícil de passar a ideia de atração mútua para o público sem nenhum sinal de erotismo. O vídeo, de boa produção, veio acompanhado deste padrão Globo de ausência de homoerotismo:


Este vídeo não está no canal do Ministério da Saúde no YouTube, mas num canal de um terceiro, porque o Ministério da Saúde resolveu remover o vídeo de todos os seus canais na internet, de repente, apesar do que foi dito em seu próprio planejamento para a campanha do carnaval na TV. E pior, o Ministério da Saúde mentiu, como pode ser visto na imagem abaixo e no blog Eleições HoJE.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

One Law For All rally 2012

The Secular Humanist League of Brazil wishes to express our full support for the One Law For All movement and reiterate admiration for our dear honorary member Maryam Namazie. 

In Brazil we do not suffer from the problem of Sharia, since Islamists are a negligible minority. But we do know what it is like to have theocrats trying to impose their way of life on public power and society at large.

Muslims are welcome in the secular society as free participants in the belief system diversity every humanist cherishes, so every charge of "islamophobia" against this movement is lacking depth of analysis. The truth we witness in Europe is that a small but influent minority in Islam is trying, in a passive-agressive fashion by mimicking the cry of oppressed minorities, to undermine centuries of slow prosocial evolution by imposing Sharia law on human beings who are unlucky enough to be put under the label "Muslim", many times against their will.

Every individual is a precious universe that has an opportunity to blossom into achievements of art, science and love. Human rights are an attempt to grant security to this process, and so is secular law. Sharia only tries to nip it in the bud.

Eli Vieira
president

Sobre a reportagem da Istoé sobre o Encontro Nacional de Ateus


Hoje, a Revista IstoÉ publicou uma reportagem sobre o Encontro Nacional de Ateus que acontecerá amanhã. Fomos pegos de surpresa pelo tom nada imparcial do texto de Rodrigo Cardoso.

Nós ateus estamos acostumados a sermos tratados de forma desigual em episódios memoráveis, como no programa de José Luiz Datena, que fez declarações preconceituosas pelas quais foi condenado na justiça, e no episódio em que a Sociedade Americana do Câncer recusou dinheiro ateu e depois tentou fingir que não foi por motivo de ateofobia (nome que nosso blog Bule Voador deu a este preconceito).

A reportagem produzida por Cardoso mistura de forma tendenciosa dois assuntos sem relação óbvia entre si: o encontro promovido pela Sociedade Racionalista, e a suposta construção de um "templo ateu" em Londres.  O jornalista sequer fez uma pesquisa básica sobre o assunto do "templo", dado que reiteradamente o filósofo Alain de Botton, que respeitamos, já explicou que este não é o nome do projeto e muito menos a intenção. A comunidade ateia internacional definitivamente não parece querer emular o comportamento religioso.

Cardoso alega que o "universo virtual [é] uma espécie de igreja online para ateus". Se for este o caso, aparentemente a internet é uma igreja para todos, ateus ou não, dado que é apenas uma ferramenta de aproximação para pessoas que aderem a qualquer forma de pensar. A escolha de termos que o repórter fez, como "professar", "templo", "cartilha" e "guru", demonstra uma clara má vontade ou provocação desnecessária para com nosso grupo, algo decepcionante de se ler num veículo que existe para informar.

Lamentamos, também, o mau aproveitamento da entrevista dada pela organizadora Stíphanie da Silva, que também resultou da tentativa do repórter de aglutinar assuntos desconexos num só texto.

Não pensamos que uma porcentagem referente a um único grupo de ateus no Brasil seja amostra representativa da posição dos ateus brasileiros em geral sobre considerar a "religião" um "mal", dado que uma parcela significativa de nós está feliz em compartilhar um país com pessoas que pensam diferente.

Por isso mesmo, nós que somos humanistas lutamos por um Estado laico e uma sociedade aberta e secular, com uma convivência de todas as crenças e posturas filosóficas, inclusive o ateísmo.


Att,

Eli Vieira e Åsa Heuser
presidente e vice-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

"Papai do Céu na Escola" de Marco Feliciano morre na praia, substitutivo inócuo tramita



O blog Fiscais de Fiofó noticiou meses atrás um dos projetos "meninas dos olhos" do deputado pastor Marco Feliciano (PSC/SP), a aberração antilaica "Papai do Céu na Escola" (PL 1021/2011). A mesa diretora da Câmara apensou este projeto a outro igualmente teocrático (PL 309/11), também de Feliciano, tentando alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para que o ensino religioso não seja apenas de oferta obrigatória, mas pura e simplesmente obrigatório, como noticiou o blog do grupo da LiHS no Ceará.

Eis que o "Papai do Céu na Escola" morreu na praia, não com um estrondo mas com uma lamúria (parafraseando T. S. Eliot), e o PL 309/11 foi diluído num substitutivo do relator Pedro Uczai, que pode ser lido abaixo logo após trechos selecionados do relatório. O substitutivo parece inócuo por não alterar o que a LDB já prevê no caso da obrigatoriedade: as escolas públicas têm a obrigação de oferecer o ensino religioso na educação básica, mas os alunos, apesar de frequentemente não serem informados disso, não têm obrigação de assistir às aulas.

 
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