sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Manual para organizar um evento Taverna Cética na sua cidade



Do Conselho de Eventos da LiHS
Somos seres racionais, capazes de elaborar um sistema de aceitação e rejeição de proposições: o ceticismo.

Sua mãe é capaz de prever através de sonhos se você vai ter uma desinteria ao comer acarajé? Suas pílulas de açúcar e seus frascos de água agitada e diluída sobre mais água curam moléstias do corpo e da mente? Suas agulhas espetadas sobre pontos mágicos do corpo substituem a fisioterapia? Jura que os seres vivos foram fabricados na linha de montagem do pai celeste dos hebreus?

Você pode ser uma pessoa muito legal e acreditar sinceramente nisso tudo, mas para fazer um cético aceitar essas coisas vai ter que fazer melhor do que dizer que funcionou para a prima do filho da sogra do amante daquele seu amigo que me emprestou um real aquela vez.

Céticos gostam de seu conhecimento do jeito que nutricionistas gostam da comida: bem preparada, fresca, com ingredientes de boa procedência, e nutritiva na medida certa para garantir a continuidade da saúde. Desculpe, mas essa história de que seu amigo nerd consegue fazer um moto-perpétuo é o equivalente epistemológico de salada de maionese estragada: eu é que não vou engolir esse troço.

Mas (mas?) também somos seres sociais. Mais (menos?) que isso: somos primatas peludos, flatulentos e carentes, que adoram gastar seu tempo se divertindo das formas mais ineficientes e absurdas que a vã filosofia jamais imaginaria (conhece 9gag? Frisbee? Caça-níqueis? Badminton? Vídeos de gatinhos e cãezinhos no YouTube? ...).

Razão e Diversão: por que não juntar as duas coisas? É para isso que acontecem, regularmente, mas à moda do andar do bêbado, em mais de 60 cidades no mundo todo, os eventos Skeptics in the Pub (SiTP).

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sobre a declaração do Papa sobre o casamento gay

A Igreja Católica é culpada não apenas pelos crimes pelos quais pediu perdão muito tardiamente no século XX: é uma instituição que ativamente praticou a coerção no silêncio de crianças vítimas de abusos sexuais de padres. Nas palavras do então cardeal Joseph Ratzinger (hoje Papa), o silêncio das vítimas e suas famílias é "sob pena de excomunhão".

Também é culpada por negligência na história de dezenas de milhares de bebês vendidos em maternidades da Espanha. Padres e freiras mentiam para as mães espanholas que seus bebês eram natimortos, há casos até de usarem um cadáver de bebê congelado para convencê-las. Os bebês eram vendidos para casais estéreis pelo preço aproximado de um apartamento, às vezes em parcelas recebidas pelas freiras e padres espanhóis por muitos anos.

Este sistema começou, é claro, no regime da ditadura fascista de Franco. Este é outro defeito do alto clero católico: um apreço por regimes autoritários que lembram o regime cósmico de sua fantasia cristã.

Corrupção moral é a única explicação para, diante dos fatos juridicamente comprovados acima, este Papa ainda ter a desfaçatez de afirmar que é o casamento gay que ameaça o futuro da humanidade e a integridade da "família".

Só se for a integridade da Famiglia milenar de algumas sanguessugas da Igreja Católica Apostólica Romana.

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Eli Vieira
presidente da LiHS

sábado, 7 de janeiro de 2012

Parasitismo e razões para ter vergonha de Dilma Rousseff

As religiões mais influentes no Brasil têm uma relação com o Estado que é a do parasita, como aquele fungo que enlouquece formigas. O fungo em questão influencia o sistema nervoso das formigas ao ponto de elas se oferecerem para predadores. É o estado da democracia no Brasil sob a influência estranhamente inchada de uma minoria teocrática.

Insisto no termo "teocracia" porque sei que há muitos evangélicos favoráveis à laicidade do Estado.

A presidente Dilma é uma das piores forças de retrocesso anti-laicidade que este país já viu em muitos anos. Ela tem a coragem de falar sobre direitos humanos no Brasil e não tocar no assunto homofobia. Se utiliza de um dispositivo autoritário herdado da ditadura, a Medida Provisória, para afagar o projeto teocrático de uma minoria anti-mulher, criando um cadastro de gestantes que claramente nasceu da ideia de fiscalizar e punir qualquer mulher neste país que decida abortar, até mesmo em casos de anencefalia.

Diante de avanços na América Latina ao nosso redor, nós brasileiros temos que ficar com muita vergonha da nossa presidente na área de direitos humanos. Isso porque nem toquei no assunto Belo Monte, melhor nem tocar.

Leia este post do blog Eleições HoJE: "Dilma, a presidenta submissa".

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Eli Vieira, presidente da LiHS

 
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