quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sobre os recentes acontecimentos envolvendo o Bule Voador

A LiHS nasceu há pouco mais de 2 anos e já congrega 1.650 membros e milhares de simpatizantes pelas redes sociais.
Recentemente, alguns episódios ficaram sem a devida explicação oficial, gerando um mal estar mesmo entre as pessoas mais importantes para a organização: seus membros e participantes do Bule Voador e redes sociais.
Como forma de prestar um esclarecimento, vem os editores e diretores da LiHS, a Diretoria Geral ocupada por Daniel Oliveira e a Presidência nas pessoas de Eli Vieira e Asa Heuser, sua vice, informar:
1 – a LiHS sempre recebeu e sempre receberá de braços abertos ateus e agnósticos de todos os tipos. Desde aqueles que não ligam para debates e discussões, até os que se engajam em dissertações acadêmicas sobre o tema. Provemos notícias àqueles que apenas querem se informar sobre religião e ateísmo pelo mundo, como também provemos substrato filosófico àqueles que gostam de debater e discutir o tema. Não obstante, para dar um exemplo prático e recente, temos muitos integrantes que consideram pequenas as questões de definições filosóficas sobre ateísmo em relação ao resto do trabalho que pretendemos fazer.
2 – o sistema de comentários do Bule Voador passou por sérios problemas. Diversos comentários, inclusive dos diretores da LiHS, não foram gravados nos bancos de dados do site. Houve uma medida para tentar resolver o problema e o mesmo está sob observação.Não censuramos comentários minimamente educados, ainda que radicalmente contra o conteúdo de posts ou de outros comentários. Censuramos apenas o proselitismo religioso e comentários feitos apenas com o intuito de agredir ou tumultuar (vulgo “trolls”). Qualquer denúncia pode e deve ser encaminhada ao e-mail do Bule (bulevoador@gmail.com), que é administrado coletivamente pelos diretores da LiHS.
3 – Não pretendemos, em nenhum aspecto, classificar, ranquear, segregar ou discriminar ateus e agnósticos. Temos plena consciência de que compartilhamos muitos mais interesses comuns do que diferenças. Queremos que todos trabalhem em prol de um mundo mais secular. Incentivamos, assim, um ativismo por uma agenda humanista e secular. Mas não detratamos aqueles que se reservam no pleno direito de se manter de fora desta luta.
4 – Há espaço na LiHS e no Bule Voador para ateus, agnósticos e mesmo para religiosos. Queremos aproximar as pessoas, nunca o contrário. Mostramos que é possível conviver com religiosos moderados, tanto quanto mostramos a barbárie dos fundamentalistas e o avanço perigoso destes sobre os governos.
5 – Somos uma organização democrática, pluralista e racionalista. Temos entre nossos membros desde ferrenhos defensores dos direitos humanos, até simpatizantes da pena de morte. Temos membros sem nenhuma formação acadêmica, até mestres e doutores em psicologia, biologia, engenharia e direito. Esse universo com diferentes visões sobre os fatos é o que, coletivamente, pode e deve ser considerado a Liga Humanista Secular do Brasil. Mas, principalmente, seus membros, comentaristas e participantes de redes sociais. São eles quem, juntos, dão vida à LiHS. São nossos membros mais valiosos e que merecem o nosso mais profundo respeito.
6 – Entendemos que ideias, opiniões e posicionamentos, independentemente de onde venham, podem (e às vezes devem) ser questionados e criticados de forma racional, não importando se venham de ateus ou de religiosos. Todavia, isso não significa que queiramos impor a quem quer que seja uma visão de mundo. Estamos abertos a críticas e nos sentimos no direito de criticar quem torna pública suas opiniões.
7 – Colaboradores da LiHS podem, eventualmente, entrar em discordância entre si, bem como entre os comentaristas. Isso é a prova mais contundente que prezamos pela liberdade de expressão, respeitamos às diferenças e o contraditório. Excessos eventualmente cometidos provam, além de tudo, que somos humanos e, assim sendo, sujeito à falhas. Nos policiamos constantemente, contudo, para que os ambientes ligados à LiHS sejam o mais encorajadores possíveis ao diálogo, ao respeito às diferenças, ao pluralismo de ideias e ao crescimento de todos os membros.
Subscrevem os diretores:
Eduardo Patriota Gusmão Soares
Meire Gomes

Shirley Galdino
Tiago Angelo
Pedro Almeida
Alex Rodrigues do Nascimento
Daniel Martin
Alexandre Marcati

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Relato da Participação no World Humanist Congress de Oslo 2011

Por Daniel Martin, diretor de relações internacionais da LiHS (agosto/2011).


Chegada em Oslo

Cheguei no aeroporto da capital norueguesa no domingo a noite, apos uma viagem um pouco cansativa (troca de voo em Hamburgo, Alemanha). Estava chovendo. Logo procurei um meio de transporte para o centro da cidade, e encontrei um trem de alta velocidade que me deixaria na Estação central de Oslo, a alluma quadras do hotel. Nerd confesso, liguei o GPS para saber a velocidade do trem: maxima de 211 km/h. Chegando, comi um sanduiche na estação e fui para o hotel preparar a apresentação e descansar.


A General Assembly 2011


Chegando no local do congresso, fui recebido pelo sr. Colin Divens, que me passou algumas informações: eu iria participar da Assembléia Geral da IHEU, instituição que a LiHS passou a fazer parte em julho deste ano. Tinhamos direito a um assento nesta assembléia. Ele então me passou um documento (em formato eletrônico, em anexo) e a senha para abrir o mesmo. Além disso, me deu um cartão verde, que daria direito a falar na Assembléia, mas não daria direito a voto (o cartão vermelho daria direito a voto). Eu disse também que eu tinha disponível uma apresentação em .ppt, caso fosse me dado à palavra. Ele falou que provavelmente não haveria tempo para esse tipo de apresentação na assembléia, mas se interessou bastante pelo material, que foi posteriormente enviado por e-mail.

A assembléia começa, e apos rapidas apresentações iniciais, segue discudindo questões institucionais e administrativas, além de orientações as instituições-membros.


Topicos discutidos neste dia:


- Constitutional changes discussion and votes · Foi votada a participação de algumas instituições (lista estara disponivel em documento posterior).
· Alguns membros se manifestaram, sobre os seguintes topicos:
§ A taxa de 100 libras, alguns alegam que é caro demais para varios paises. Outros alegaram que é para ser mais flexivel.
§ Quais organizacoes podem fazer parte? Quais os valores a organização deve ter para ser aceita no guarda-chuva da IHEU?
§ Um delegado francês disse que a palavra “Humanista” é generica demais e envolve praticamente tudo, por isso eles nao a usam.
§ A discussao continua, sobre aceitar a instituicao se ela tem ou nao “humanista” ou “ateista” no nome, o quanto isso è importante, etc.. as opinioes, no geral, sao de que o nome nao è tao importante, desde que
os valores estejam alinhados com os valores da IHEU. Sobre esse ponto especifico, houve uma discussão posterior detalhada no proximo topico.

Policy resolutions from the Congress
· Resolucao adotada pelo congresso: combate à corrupção!
§ Durante o congresso, um dos temas mais debatidos foi o combate à corrupção, e os danos causados pela corrupção no sentido de dificultar o acesso das pessoas aos direitos humanos.
§ Sobre esse e outros assuntos, vamos aguardar material posterior. Os contatos criados nascidos dessa nossa iniciativa permitirão o acesso à mais informações.
§ Em todos os topicos questionou-se se alguém gostaria de se manifestar, contra ou a favor. Neste ninguém se manifestou contra.

Resolução: non-religious people in military
§ Delegado da Military Association of Atheists & Freethinkers falou um pouco sobre a realidade enfrentada pelos militares nos EUA, onde é obrigatorio ter capelões no exército.
§ Discutiu-se alguns pontos contra e a favor, principalmente sobre a necessidade do militar de um apoio na horas dificeis.


- Presentation from candidates for election to the EC +
· election by acclamation, ou seja, apenas verificou-se se havia alguém contra:
§ Susan Sackett
§ Ron Solomon
Date and venue of 2012 GA: Friday 2 August 2012 and Sunday 5 August (afternoon), with a
conference on Saturday 3 and morning of Sunday 5 August in Montreal, Canada.

- Alguns pontos que não consegui encaixar nos tópicos acima:

(sei que alguns comentários parecem meio fora do contexto... mas não me levem a mal, foi apenas minha ânsia de querer copiar tudo, ou seja, não perder nenhum detalhe do que estava sendo falado lá).

Alguém levantou a questão sobre o direito de protestar contra a violação dos direitos humanos, nem sempre respeitado e que deve ser garantido (houve uma crítica à ONU, de não citados 3 países membros)
- Algo foi dito sobre a Guerra na Somália (que tem acontecido por muitos anos)
- Outro participante perguntou qual o propósito dessa declaração (durante o congresso foi debatida a criação de um documento onde haviam alguns conceitos, como o conceito de PAZ, HUMANISMO, etc.):

o Foi respondido que a razão principal é ter uma base para, por exemplo, quando uma instituicao usa a palavra PAZ, todos sabem exatamente do que se estao falando.
o (comentário meu: a primeira vista, o tema pode parecer irrelevante. Mas acho extremamente importante o tema, inclusive sugerindo para nós, LiHS, que usemos um pouco do nosso tempo definindo alguns conceitos – a própria palavra HUMANISMO, por exemplo – para quando qualquer um se referir à ela sabermos exatamente do que estamos falando)
- Foi falado das MARCHAS PARA ESTADO LAICO, que acontecerão na Europa, mas que eles não têm números exatos, nem locais exatos. O secretário falou para comparecer nas marchas, enviar datas e numeros de pessoas para o email da IHEU para a divulgação e contagem, diante da dificuldade de obter numeros exatos na maioria dos países. Isso acontece pelo simples fato de que nem todos os eventos humanistas são organizados por instituições ligadas à IHEU. Ao mesmo tempo, é interessante saber que eles estão muito receptivos com
as informações vindas do Brasil.
- Uma senhora falou que há uma iniciativa (nos EUA) de traduzir textos e informações humanistas e seculares, nao so para o Inglês, mas para o Árabe também.

- A presidente encerra a sessão, agradecendo à todos, à um americando chamado Jules, pelos 3 ultimos anos de trabalho (ela comenta o fato dele ser de NY mas morar em Las Vegas...), e pede que visitemos todos os dias o website, para conferir as noticias.


Pós-assembléia


Logo após o fim da assembléia, procurei fazer contatos e conversar com as pessoas. Conversei com a Sonja Eggerickx, presidente da IHEU, com o Colin e mais algumas pessoas. Não foi muito fácil, pois estavam rodeados por todos os delegados ali presentes, cada um disputando a atenção da diretoria.

Tive a oportunidade de falar, à pequenos grupos de cada vez, sobre a nossa situação brasileira: o fato de sermos os grupo mais odiado, do país ser extremamente religioso, das nossas ações como a luta à favor da liberdade de aborto, do combate à homofobia, dia do orgulho hétero, do nosso rápido crescimento (da LiHS), do nosso esforço em divulgar informações e conhecimento, protesto contra apedrejamento, etc.. enfim, falei sobre bastante coisas, o que a memória permitiu falar naquele momento, e graças ao material que eu tinha estudado alguns dias antes.

Algumas coisas que marcaram:

• Como sempre, as pessoas se interessavam e abriam um grande sorriso quando eu dizia que era do Brasil.
• Ao mesmo tempo, todos me falaram da palestra do dia anterior sobre corrupção (Organized Civil Society in Promoting Just Global Governance – The Example of Fighting International Corruption, por Peter Eigen da Transparency International). Aliás, foi falada também durante à assembléia. Triste saber que nosso país é tão atingido por esse mal, mas melhor expor a ferida para poder melhor tratá-la.
• Ainda, discutimos bastante como a corrupção afeta o acesso das pessoas aos seus direitos (desde coisas simples como saúde pública, saneamento básico e educação até infra-estrutura de transporte, moradia e bens de consumo).
Quando eu falei que a Câmara de SP tinha votado um “dia do orgulho hétero”, as reações eram SEMPRE exageradas: gargalhadas, gritos (algo como “WTF??!!?!? Are you kidding me?”) e faces assombradas. As pessoas simplesmente tinham dificuldade de acreditar no absurdo disso.
• O grande número de membros da LiHS e o rápido crescimento deixaram todos com um belo sorriso, bastante impressionados. Disse que era graças ao nosso trabalho sério e transparente, divulgação nos meios eletrônicos. Disse também que uma das nossas missões era levar informação e conhecimento às pessoas, e estávamos tendo bastante sucesso nesse ponto, mas que procuramos trabalhar cada vez mais, afinal é um país imenso, ainda há muito trabalho à fazer.


Depois do evento.


Após o fim dos contatos, quando a maioria das pessoas já havia saído, voltei ao hotel para um descanso, deixar computador e papéis (que acabei nem usando para anotações), troquei de roupa e saí para uma caminhada na cidade, apesar da ainda presente chuva.

Oslo é uma cidade bastante cara (mesmo para padrões europeus), mas é muito bonita, as pessoas são simpáticas (para padrões europeus, haha) e quase todas falam inglês, o que facilitou bastante a comunicação.

Visitei o local onde aconteceram os atentados. Aliás, apenas de longe, pois estava tudo cercado pela polícia, para imagino permitir tranquilidade aos trabalhos. É impressionantemente triste ver isso. Aliás, ficava a apenas duas quadras do local onde foi o Congresso, e algumas janelas do local foram atingidas. Muitos vidros quebrados, mesmo sem vista direta para o local onde estava a bomba, devido ao “reflexo” da explosão.

Não me perguntem o porquê, mas a maioria das homenagens estava sendo feita no pátio de uma igreja (Catedral de Oslo – Luterana) à algumas quadras do local da explosão.

Visitei também o Nobel Institute, onde é entregue todo ano o Prêmio Nobel da Paz, e a sede da Norwegian Humanist Association (Norwegian: Human-Etisk Forbund, HEF), a maior associação Humanista Secular do mundo (estava fechada no dia, por conta do congresso).

A noite escrevi o e-mail para o Colin (mas acabou sendo enviado somente na terça), e agora a pouco recebi (com cópia para a Diretoria da LiHS) a gratificante resposta dele e da presidente da IHEU (copio abaixo), fato que por si só fez valer a pena essa pequena jornada, não só minha, mas de toda a LiHS, ao World Humanist Congress em Oslo 2011.


Anexo: e-mails do Colin Divens e da Sonja Eggerickx:


“Hi Daniel,

Great to meet you in Oslo at the World Humanist Congress; we are really pleased that LiHS was represented there.

Thank you for sending through the very comprehensive and informative presentation on your organisation, as discussed. I have copied Sonja into my reply, so that she can view it too.

As your associate membership application was approved by the IHEU General Assembly in Oslo, LiHS is now an associate member of IHEU, in good standing 2011. Welcome!

Speak soon,

Colin Divens
International Humanist and Ethical Union



(Olá Daniel, foi bom te encontrar em Oslo no Congresso Humanista Mundial; nós estamos realmente felizes que a LiHS foi representada lá. Obrigado por ter mandado a apresentação muito compreensível e informativa, como nós háviamos combinado. Copiei Sonja na resposta, assim ela pode ver também. Como a sua aplicação de membro associado foi aprovada na Assembléia Geral em Oslo, a LiHS agora é membro associado da IHEU, no ano de 2011. Bem-vindos!



Até breve, Colin)


“Thanks! Went quickly through it, sounds great!

Dear Daniel,

I am very happy that LiHS did join IHEU! It means an important step forward in organising the Latin Americans
humanists. It will be an example for others to follow

Sonja”


(Obrigada! Após uma lida rápida, parece muito bom! Querido Daniel, estou muito feliz que a LiHS se juntou à IHEU! Significa um importante passo adiante na organização dos Humanistas Latinoamericanos. Será um exemplo para outros seguirem.



Sonja )

O que a Liga Humanista Secular do Brasil não é



O que a Liga Humanista Secular do Brasil NÃO é:

- NÃO é uma tentativa de eliminar religiões, mas uma tentativa de agrupar pessoas seculares pelo que acreditam ser necessário para um conhecimento melhor, uma conduta melhor, uma vida melhor, um mundo melhor. Se teremos sucesso em cada um desses pontos, principalmente o último, é secundário diante da necessidade de nos juntarmos e nos afirmarmos.

- NÃO é uma utopia inatingível, na verdade é muito pé-no-chão: sabemos exatamente o que queremos em temas como os direitos reprodutivos, a condução da política no Brasil, e o tratamento da mídia para com temas diversos. Não são coisas complicadas como planos econômicos, são coisas bem simples, claras e distintas como a laicidade do Estado.

- NÃO é uma agremiação ideológica dogmática, mas axiológica: valorizamos o pensamento crítico, cético e científico; valorizamos a empatia em detrimento de todos os preconceitos de origem, grupo étnico, orientação sexual ou gênero. Diferente do que acontece em certas comunidades do Brasil, uma nordestina negra transgênero e bissexual seria não apenas bem-vinda na LiHS, mas avaliada apenas pela firmeza de seu caráter.

- NÃO é religião nem acredita em nenhum deus, porque pensamos que é nossa responsabilidade fazer esta vida, que até onde sabemos é finita, valer a pena por nossos próprios meios, que passam pelo desafio que é viver num universo que não foi moldado a nós, mas nós a ele. E neste intento, a criatividade não deve ter limites.

Afilie-se aqui.

Abraços,

Eli Vieira
presidente

sábado, 3 de dezembro de 2011

Genocídio no Brasil à Sombra de um Delírio Verde


A LiHS assinou o manifesto e a carta abaixo sobre o contínuo e lento genocídio do povo guarani kaiowá no Brasil. Para a lista completa de assinantes, visite a publicação original no blog do Fórum de Direitos Humanos e da Terra do Mato Grosso.

Também recomendamos fortemente:


  • entrevista com Dona Eleonora, 105 anos, avó do Cacique Nísio
  • documentário À Sombra de um Delírio Verde:
    Produção: Argentina, Bélgica, Brasil
    Tempo de Duração: 29 min
    Ano de Lançamento: 2011
    Direção, produção e roteiro: An Baccaert, Cristiano Navarro e Nicolas Muñoz
    Narração em Português: Fabiana Cozza
    Música composta por Thomas Leonhardt
    Comentário do jornalista Leonardo Sakamoto: "Os guarani kaiowá do Mato Grosso do Sul enfrentam a pior situação entre os povos indígenas do Brasil, apresentando altos índices de suicídio e desnutrição infantil. O confinamento em pequenas parcelas de terra é uma das razões principais para a precária situação do povo. Sem alternativas, tornam-se alvos fáceis para os aliciadores de mão-de-obra e muitos acabaram como escravos em usinas de açúcar e álcool no Estado nos últimos anos."



MANIFESTO

No início da manhã do dia 18 de novembro, 40 pistoleiros assassinaram brutalmente o cacique NÍSIO, Guarani Kaiowá, do estado de Mato Grosso do Sul. O conflito em função da terra já acumula outros crimes e violências.
Incentivados e apoiados por uma professora das ciências sociais, Aline Crespe, os estudantes Kaiowá escreveram uma carta em repúdio ao homicídio do cacique Nísio.

O FÓRUM DE DIREITOS HUMANOS E DA TERRA DE MATO GROSSO (FDHT) lançou um manifesto apoiando a carta escrita pelos estudantes Guarani Kaiowá, e junto com os signatários abaixo conclamamos pela justiça social e total proteção aos povos indígenas.

Realizamos um pequeno dossiê do caso, com informações oriundas basicamente dos indígenas de Mato Grosso do Sul e colaborações de vários educadores ambientais de todo Brasil. São notícias do massacre, acrescentados de atos públicos, moções ou abaixo-assinados, além de galeria de fotos e cultura Guarani Kaiowá.

Entregamos nosso manifesto à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República no dia 2 de dezembro de 2011, e solicitamos imediata punição aos criminosos e saudamos os povos indígenas com solidariedade e respeito.
Cuiabá, 02 de dezembro de 2011.

Fórum de Direitos Humanos e da Terra – Mato Grosso
direitoshumanosmt@gmail.com

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Setor Comercial Sul - B, Quadra 9, Lote C, Edificio Parque Cidade Corporate, Torre "A", 10º andar,

Brasília, Distrito Federal, Brasil

CEP: 70308-200

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CARTA DOS ESTUDANTES GUARANI E KAIOWÁ

Por volta das seis horas chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto, recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. 

Alguns outros receberam tiros mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz que foi atingido por um tiro de borracha se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros então tiveram que esconder ele embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.


Outro rapaz se escondeu em cima de uma árvore e foi ele que me ligou para me contar o que tinha acontecido. Ele contou logo em seguida. Ele ligou chorando muito. Ele contou que chutaram o corpo de Nísio para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro para garantir que a liderança estava morta. Ergueram o corpo dele e jogaram na caçamba da caminhonete levando o corpo dele embora.



Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento.



Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira?



Vemos hoje os direitos humanos, a defesa do meio ambiente, dos animais. Mas e as populações indígenas, como vem sendo tratadas?



As pessoas que fizeram isso conhecem as leis, sabem de direitos, sabem como deve ser feita a demarcação da terra indígena, sabem que isso é feito na justiça. Então porque eles fazem isso? Eles estão acima da lei?



O estado do Mato Grosso do Sul é um dos últimos estados do Brasil mas é o primeiro em violência contra os povos indígenas. É o estado que mais mata a população indígena. Parece que o nazismo está presente aqui. Parece que o Mato Grosso do Sul se tornou um campo de fuzilamento dos povos indígenas. Prova disso é a execução do Nísio. Quando não matam assim matam por atropelamento. Nós podemos dizer que o estado, os políticos e a sociedade são cúmplices dessa violência quando eles não falam nada, quando não fazem nada para isso mudar. Os índios se tornaram os novos judeus.



E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria constituição? E nós estamos aí sujeito a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta a luta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de deus vai funcionar.



ESTUDANTES GUARANI E KAIOWÁ DOS CURSOS DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HISTÓRIA E MORADORES DA ALDEIA DE AMAMBAÍ.

 
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